|
|
|
Editora | Concursos Literários | Antologias | E-books | Como Publicar | Orkut | Esperanto | Mirandés | Español | English |
![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]()
Se você está procurando informações sobre Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões, clique nos links abaixo: ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() |
Adamastor
O espectáculo é envolvente, grandioso, terrificante. Este semideus maléfico, encarnação dos perigos da arriscada travessia, precede-se de uma nuvem negra, que surge rasante sobre as cabeças dos navegantes. Mas mais surpreendente ainda é a orquestração que o mar faz com este elemento aéreo «Bramindo, o mar de longe brada, Como se desse em vão nalgum rochedo».
O lado maravilhoso desta aparição também é acentuado, fazendo contrastar todo o espectáculo de disformidade e gigantismo com o cenário precedente, onde são manifestos os encantos de uma noite dos "mares do Sul", «prosperamente os ventos assoprando».
Então começa a segunda parte do episódio (estrofes 41 a 48), que em termos cronológico-narrativos é uma prolepse. O Adamastor fala e, como um oráculo, vaticina o destino cruel que espera alguns dos navegadores que atravessarão os seus domínios. É uma forma inteligente de o poeta dos meados do século falar de acontecimentos do passado, mas que seriam futuros para o navegador do início do século que faz a narração.
Passado mais este obstáculo, os navegadores agora enfrentam a doença, particularmente o escorbuto, e um clima a que não estão habituados. Apesar de um acolhimento cordial dos povos da África do Sul, o desânimo também aumenta por não haver quem dê notícias sobre a Índia. Até que, depois de Moçambique e Mombaça, a narrativa termina com a alegria da chegada a Melinde.
O canto encerra com a admiração dos melindanos por toda a epopeia portuguesa, e a censura do poeta pela iliteracia dos seus conterrâneos. Pela boca de Vasco da Gama, que lhe empresta legitimidade, conta como os poderosos do mundo, especialmente gregos e romanos, eram amantes das letras. E lamenta que os seus contemporâneos desprezem a língua, a poesia e o cantar e louvar de heróis e povos.
Canto VI
Finda a narrativa de Vasco da Gama, e os festejos dos melindanos, a armada sai, guiada por um piloto que deverá guiá-la até Calecute.
Foto: Estátua de Netuno em monumento da Praça Campo Grande, em Salvador (Bahia).
Contos Cavalheirescos
Entretanto, os marinheiros matam despreocupadamente o tempo ouvindo Fernão Veloso contar o episódio lendário e cavaleiresco d'Os doze de Inglaterra (estrofes 43 a 69):
Imagem virtual: Cavaleiros portugueses, curiosidade é a bandeira hasteada pelos guerreiros lusos, embora contestada por alguns historiadores, o escudoem questão trata-se do Condado Portucalense, sob possessão do conde D. Henrique, o qual consistia numa simples cruz azul sobre fundo de prata (idêntico, curiosamente, ao brasão da cidade portuária de Marselha).
Nos tempos de D. João I, doze cavaleiros ingleses teriam ofendido a honra de doze damas inglesas, e lançado o desafio a quem quisesse defendê-las em um torneio. Uma vez que estes eram homens poderosos da Inglaterra, não havia compatriotas que se atrevessem a enfrentá-los. Assim, o duque de Lencastre lançou um apelo ao seu genro rei de Portugal.
Em resposta, armaram-se imediatamente doze cavaleiros portugueses para partir do Porto para aquele país. Mas só onze embarcaram. O 12.º era Álvaro Gonçalves Coutinho, o Magriço, que resolveu ir primeiro por terra até à Flandres. Depois de algumas aventuras, chegou ao local da justa no preciso momento em que esta ia começar e, com a sua ajuda, todos os cavaleiros ingleses foram derrotados, salvando-se a honra das damas ofendidas.
A Tempestade
A história de Veloso é interrompida pela chegada da tempestade provocada pelos deuses marinhos (estrofes 70 a 84). É uma descrição dramática de quem viveu situações semelhantes e conhece a gíria náutica: os ventos, a ondulação, a quebra de mastros, as naus alagadas, os gritos dos marinheiros, relâmpagos e trovões.
Vendo as suas embarcações quase perdidas, Vasco da Gama dirige uma prece a Deus. Mais uma vez, é Vénus que ajuda os portugueses, mandando as ninfas seduzir os ventos para os acalmar. Dissipada a tempestade, a armada avista Calecute e o capitão agradece a mercê divina.
O canto termina com considerações do poeta sobre o valor da fama e da glória conseguidas através dos grandes feitos, e uma crítica a quem procura estas e a fortuna por intriga e favor dos poderosos.
Canto VII
Este canto inicia com a comparação dos feitos dos portugueses contra os muçulmanos, expandindo o cristianismo e fazendo a guerra santa, com os conflitos internos da Europa (estrofes 2 a 15). Segundo o ponto de vista de Camões, os reis e os nobres das outras nações europeias perdem-se em guerras intestinas, inglórias e injustas. Os alemães, franceses e ingleses renegam a verdadeira fé e enfraquecem o poder cristão. Os italianos são corruptos, lutando uns contra os outros com o único objectivo do ganho pessoal. Pelo contrário, só os portugueses, com as mais nobres intenções, lutam contra os mouros e turcos.
Assim que aporta em Calecute, Vasco da Gama envia um mensageiro ao soberano indiano. No meio deste novo povo, com quem não consegue falar, o marinheiro encontra Monçaide, um mouro hispânico falante de castelhano, que o acolhe e lhe serve de tradutor. Monçaide acompanha-o até à frota e explica aos portugueses um pouco da geografia, história, política, religiões e costumes da Índia.
Ilustração: Brahma uma das divindades principais do hinduísmo, confundido por Camões com Jano
O capitão e Monçaide desembarcam e encontram-se com o Catual, um ministro que os acompanha até ao Samorim (estrofes 43 a 65). A descrição do que os portugueses vêem é um exemplo da sociologia da descoberta e da interpretação de uma cultura absolutamente nova. É proposto um tratado comercial e, enquanto o soberano indiano pondera, a embaixada volta à nau capitânia. Aqui encontra-se um painel representando a história de Portugal.
Mas antes da explicação deste, sentindo-lhe faltar a inspiração, Camões conta um pouco da sua biografia e lança-se num lamento indignado pelo modo como a sua pátria o tem tratado, a quem só pretende cantar a glória portuguesa (estrofes 78 a 87).
Canto VIII: Painel da história de Portugal
De seguida vêm o Conde D. Henrique e D. Afonso Henriques, juntamente com algumas personalidades que se evidenciaram durante a primeira dinastia: Egas Moniz, D. Fuas Roupinho, o prior D. Teotónio, Mem Moniz, D. Sancho I, Geraldo Sem Pavor, Martim Lopes (que capturou Pedro Fernando de Castro, renegado leonês aliado aos mouros), o bispo D. Soeiro Viegas, D. Paio Peres Correia.
Já durante a revolução de 1383-85 e o reinado de D. João I, estão presentes D. Nuno Álvares Pereira, Pêro Rodrigues e Gil Fernandes (vencedores de escaramuças com os castelhanos), Rui Pereira (batalha naval do cerco de Lisboa) e Martim Vasques da Cunha (que com 17 homens defendeu-se de 400 castelhanos).
Depois D. Pedro e D. Henrique (da Ínclita Geração), D. Pedro de Meneses (capitão de Ceuta) e D. Duarte de Meneses (capitão de Alcácer-Ceguer). Entretanto anoitece e o Catual volta a terra.
Tratado com o Samorim
O Samorim entretanto manda examinar os augúrios que, segundo o poeta, por serem pagãos são facilmente enganados pela sua fé errada. O Demónio engana-os dando a previsão de que os portugueses virão a subjugar toda a Índia. Isto é confirmado pelos conselheiros islâmicos do soberano, a quem durante a noite Baco visitara durante os sonhos, fazendo-se passar por Maomé, acusando os ocidentais de pirataria e incitando à destruição a frota.
No dia seguinte, o Samorim tem de decidir entre as vantagens económicas do tratado com os portugueses e as previsões catastróficas da noite. Chamando Vasco da Gama, acusa-o de apátrida e pirata, incitando-o a confessar a verdade. O navegador responde com dignidade (estrofes 65 a 75), reafirmando as suas intenções, e sai da audiência com autorização para comercializar.
Mas o ministro indiano, influenciado pelos muçulmanos do reino, faz o capitão de refém e tenta trazer a frota portuguesa para mais perto, para a poder assaltar. Quando esta estratégia falha, cobiçando o lucro e temendo o castigo do seu soberano por estar a desobedecer às suas ordens, aceita trocar Vasco da Gama por mercadorias das naus.
Canto IX
O Catual ainda tenta demorar os portugueses, proibindo o comércio com os feitores das naus, para dar tempo que chegue uma armada muçulmana do Mar Vermelho. Mas Monçaide, convertido agora ao cristianismo, consegue informar o capitão português dos planos dos inimigos, vender a mercadoria e obter especiarias.
Ao mesmo tempo, Vasco da Gama aprisiona alguns importantes do reino de Calecute e troca-os pelos feitores, entretanto aprisionados. Com mercadoria e alguns prisioneiros indianos, a frota tem provas da chegada à Índia e zarpa
A Ilha dos Amores
Vendo agora a frota em segurança no seu regresso a Portugal, Vénus pede a ajuda do seu filho Cupido para juntar os amores e ferir as nereidas com as flechas do amor. Com as ninfas e Tétis sob esta influência, coloca uma ilha mística na rota dos portugueses, e a ela traz os amantes.
Podem ser consideradas três descrições no episódio da Ilha dos Amores:
A recompensa dos portugueses tem um sentido alegórico: «Que as Ninfas do Oceano, tão fermosas, Tethys e a Ilha angélica pintada, Outra cousa não é que as deleitosas Honras que a vida fazem sublimada» (estrofe 89). A terminar o canto, dirigindo-se ao leitor, reforça a intenção alegórica e incita aos feitos de valor: «Impossibilidades não façais, Que quem quis sempre pôde: e numerados Sereis entre os heróis esclarecidos E nesta Ilha de Vénus recebidos».
Em um pormenor curioso, houve a intenção de separar e dignificar Vasco da Gama na carnalidade do episódio. É acompanhado por Tétis até a um magnífico palácio de cristal e ouro, enquanto os restantes marinheiros e as suas companheiras ficam nas praias e nos bosques.
Canto X: a profecia da sereia
Depois de saciados os primeiros apetites, os marinheiros chegam ao palácio de Tétis, onde lhes é servido um fausto banquete. Neste, a sereia profetiza os feitos dos portugueses no Oriente (estrofes 10 a 73). Mais uma vez Camões usa o artifício da profecia para contar o que se passou entre 1498, o ano da descoberta do caminho marítimo para a Índia, e o tempo em que o poema foi escrito.
São então cantados os heróis e governadores da Índia, que da mesma forma vão merecer a presença na Ilha dos Amores: Duarte Pacheco Pereira (estrofes 12 a 23), Francisco de Almeida e o seu filho Lourenço de Almeida (26 a 38), Tristão da Cunha (39), Afonso de Albuquerque (40 a 49), Lopo Soares de Albergaria (50 e 51), Diogo Lopes de Sequeira (52), Duarte de Menezes e o próprio Vasco da Gama (53), Henrique de Menezes (54 e 55), Pêro Mascarenhas (56 a 58), Lopo Vaz de Sampaio (59), Heitor da Silveira (60), Nuno da Cunha (61), Garcia de Noronha e António da Silveira (62), Estêvão da Gama (62 e 63), Martim Afonso de Sousa (63 a 67), João de Castro e os seus filhos Álvaro e Fernando (67 a 72) e João de Mascarenhas (69).
A máquina do mundo
Nas palavras de António José Saraiva, "é um dos supremos sucessos de Camões", "as esferas são transparentes, luminosas, vêem-se todas ao mesmo tempo com igual nitidez; movem-se, e o movimento é perceptível, embora a superfície visível seja sempre igual. Conseguir traduzir isto por meio da "pintura que fala" é atingir um dos cumes da literatura universal."
Incluídas neste episódio ainda vão estar mais "profecias" sobre os portugueses; a história dos milagres de S. Tomé, evangelizador da Índia (estrofes 108 a 118), com uma breve mas arriscada crítica aos Jesuítas na estrofe 119; na estrofe 128 uma referência ao naufrágio de Camões, em que se salvou a nado com Os Lusíadas, e uma curiosa previsão de que a sua «Lira sonorosa Será mais afamada que ditosa» (a sua obra seria mais famosa do que a sua vida afortunada).
Depois disto, os portugueses embarcam novamente e chegam sem mais problemas a Lisboa, onde recebem as glórias que lhes são devidas.
Epílogo
A epopeia termina com um epílogo (estrofes 145 a 156), em que o poeta lamenta mais uma vez as injustiças que o Reino lhe terá cometido. Reforça a dedicatória da obra ao jovem rei D. Sebastião e aproveita, como homem experiente da vida e dos conhecimentos, para lhe dar alguns conselhos: que se aconselhe com os melhores, governe com justiça, premeie apenas e sempre quem merece, lute com bravura e inteligência para expandir Portugal e a fé cristã. Deste modo, tal como Aquiles foi cantado por Homero, Camões cantará o seu rei.
Obras baseadas n'Os Lusíadas
Download do arquivo completo d'Os Lusíadas Instituto Camões:
Do site www.lusiadas.com.br - Clique aqui para baixar no formato PDF
Download do arquivo completo d'Os Lusíadas Texto Integral (Português atual):
Download do arquivo completo d'Os Lusíadas (Português arcaico):
|
|
© 2009 Lusíadas Editora - Todos os direitos Reservados. |